Diário da Kel

17/08/2007 15:22

...

"...meu Deus, não sou muito forte, não tenho muito além de uma certa fé não sei se em mim, se numa coisa que chamaria de justiça-cósmica ou a-coerência-final-de-todas-as-coisas. Preciso agora da tua mão sobre a minha cabeça...
...Que eu não perca a capacidade de amar, de ver, de sentir.
Que eu continue alerta.
Que, se necessário, eu possa ter novamente o impulso do vôo no momento exato.
Que eu não me perca.
Que eu não me fira.
Que não me firam.
Que eu não fira ninguém.
Livra-me dos poços e dos becos de mim, Senhor!
Que meus olhos saibam continuar se alargando sempre...
...sinto uma dor enorme de não ser dois..."
"...então penso que está certo assim, na nossa sede infinita acreditar e levar porrada mas voltar a acreditar e cair do cavalo e não deixar de acreditar e se desenganar e se arrebentar mas continuar acreditando que, de alguma forma, há alguma resposta de humano para humano. E que amar o humano do outro é aceitar e amar teu próprio humano, e que esse é o único jeito, o único way-out possível: procurar no humano do outro a saída do nosso próprio humano sem solução. E na minha memória, amar os pés nus do meu amor na minha blusa roxa. Ou o beijo na boca na escadaria. E pouco importar que tudo tenha sido ou continue sendo fantasia ou carência, porque é assim que as coisas são, e é através disso – e só disso, venusiano total – que posso crescer, e então quero crescer, e não me importo nem um pouco de voltar e acreditar e de ficar todo aceso e mais delicado para olhar as coisas, qualquer coisa."

(CAIO FERNANDO ABREU)

K


enviada por kel



14/08/2007 20:07
Quando mais nada houver, eu me erguerei cantando, saudando a vida com meu corpo de cavalo jovem. E numa louca corrida entregarei meu ser ao ser do Tempo e a minha voz à doce voz do vento. Despojado do que já não há solto no vazio do que ainda não veio, minha boca cantará cantos de alívio pelo que se foi, cantos de espera pelo que há de vir.

(Caio Fernando Abreu)
enviada por kel



24/07/2007 18:36

TERNURA





Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar
[ extático da aurora.

VINICIUS DE MORAES



enviada por kel



18/07/2007 18:51

Não se admire se um dia, um beija-flor invadir...

Ontem... em uma casa simples do Catete(casa do amigo Jonas Ribas e família), tive o privilégio, a honra de conhecer e ouvir o músico, o maestro cantador, o amigo Vital Farias.
Que momento lindo, passamos horas alí ouvindo suas canções, suas razões e suas esperanças.
Ouvindo sua música nordestinamente brasileira(que tanto fala das crianças, dos agricultores, de todos que padecem e que merecem esse chão, mais que ninguém.
Vi seus olhos claros marejados, seu sorriso aberto, seu jeito simples de olhar e educar os filhos... e também chorei.
Choramos e cantamos todos, com Vital Farias.

Vital...
Seu nome já diz tanto.Vital pra nós, pra Arte!
O que seria de nós sem esse sopro de lógica, cultura e encanto... O que seria? O que seríamos sem tua luz, força e coragem?
Louvo a Deus por você existir e cantar!!!
Louvado Seja, Louvado Seja!!!

Estavam lá tb, Sergio, Graça e as crianças. Roberto Lempé,Patropi,Luiz Carlos da Vila(outro grande mestre) e sua esposa,Paulo Peres e Cristina(amigos eternos que me levaram para esse encontro, que nunca mais esquecerei),Johnny Maestro e sua esposa e outros amigos...
Que vontade eu tive de mandar uma mensagem pelo orkut ou por e-mail, avisando todo o Rio de Janeiro, que estava acontecendo naquela casa, um encontro mágico.Onde Luiz Carlos da Vila cantava seus sambas e Vital nos abençoava com sua Missa Agreste, solando um violão enluarado por Jesus Menino.

Ainda não dormi pois não paro de sonhar com a noite de ontem, a noite que nem sei porque mereci ganhar.
Obrigado, obrigado, obrigado...

Kelce
obs:Beijos para as crianças que estavam lá e que tornaram esse momento o meu "Jardim Secreto".Um beijo especial para Olívia , filha pequena de Vital, que cantou Caravana(de Geraldinho), na cozinha pra mim, me olhando intensamente.Não sei explicar o que senti. Mas doeu de tão bonito.
enviada por kel



08/06/2007 01:24

Histórias de Gente e Anjos

Doce Medo
Tenho medo da dor de tua ausência
que me queima por dentro.
E da ternura,eu tenho medo,dessa beleza das noites secretas
quando chegas
sempre como se fosse a única vez.

Tenho medo que um dia queiras
cessar esse rio de águas ardentes
onde mais do que os corpos
tocam-se as almas,
anjos desatinados luzindo no breu.

Altéria artemísia aretusa,a medusa surge do poço onde mora,a bela audaciosa dona de tudo que tanto receio e tanto quero ter.

Deu para me contar histórias com anjos,de anjos. Agora, é aquela do homem-anjo e da mulher-anjo e de seu possível encontro. Duas pessoas raras procurando-se,vencendo vales e mares para se encontrarem,trançando as asas num vôo transgressor,banindo o trivial e tendo ali,com êxtase e dor,a sua recompensa.
Havia quase um anjo.
era ainda um homem comum,exceto pela mente inquieta e pela alma em êxtase frequente,que seu cotidiano de deveres e correrias ainda não conseguira eliminar de todo.
Começou a sentir um incômodo nos dois ombros,distensão muscular,má posição no trabalho... Foi piorando e um dia olhou-se no espelho,de lado,inteiro e nu depois do banho:não havia dúvida,duas saliências apareciam em sua pele.
Teve muito medo,mas decidiu não comentar com ninguém, e, como não transava frequentemente com a mulher, conseguiu esconder tudo quase um mês.
Então,entre assustado mas também intrigado - pois o estranho fenômeno não doía -, viu que se desenhavam em suas costas duas asas,não ainda nascendo,mas claramente demarcadas debaixo da pele.Fez como via fazer sua mulher: pegou de cima da pia um espelho redondo no qual ajeitava o cabelo e passou a analisar todo dia aquele fenômeno, que em vez de o assustar agora o intrigava.
Estou ficando louco de uma vez, ou é um tumor esquisitíssimo, ou tem mais gente assim no mundo?
E pensava:
Nem adianta ir ao médico, porque se for um tumor (ou dois) tão grande,não tem mais remédio, é melhor morrer inteiro do que cortado.
E o tempo passava.


Certa vez, quando se masturbava no banheiro, na hora do prazer sentiu que elas


enfim se lançavam de suas costas,e viu-se enfeitado com elas,desdobradas, enormes,naturais como as asas de um cisne que apenas tivesse dormido e , acordando, se espojasse sobre as águas.
Ficou ali,nu diante do espelho,estarrecido.
Ou encantado.
Agora ele não era apenas um homem comum com contas a pagar,emprego a manter,família a sustentar,filhos a levar para o parque,patrão a agradar,horários a cumprir:era um homem com um encantamento.
Fora tocado pelo diferente.

Nem dor sentia,nem verdadeiro medo,mas espanto como diante de uma paisagem,um quadro,uma música quase insuportavelmente bela.Como quando começa a nascer da cinza cotidiana um novo amor.
Eram instigantes aquelas asas,e era belo sobretudo aceitá-las como parte de si: estavam desde sempre nele,esses vôos todos, e ele sempre soubera, sempre desejara, e sempre invocara: e agora, o que faria com aquilo?
Cabia a ele decidir.
E pensou: asa deve ser natural, a coisa mais natural para quem não está inteiramente embotado: promessas de vôo como num peixe-voador que se alça acima das águas - no mar debaixo da minha varanda enquanto eu esperava que o momento da alegria chegasse.

Também eram umas asas muito práticas ,porque,desde que usasse camisa um pouco larga, acomodavam-se maravilhosamente debaixo das roupas.
E só à noite,quando nada se movia senão um vago vento nas árvores,ele saía para o terraço,tirava a roupa e deslizava,varava os ares enquanto tivesse vontade.

A mulher que vivia com ele apenas percebia alguma coisa diferente no corpo de seu homem.
Mas a idéia de um par de asas era tão absurda,tão remota naquele homem cotidiano, que cumpria seus deveres pagava suas contas bebia com os amigos levava os filhos ao parque nos domingos e digia seu carro e raramente fazia sexo com sua mulher - com outras nem pensar, porque tinha medo e estava sempre cansado demais - que jamais lhe ocorreria.


Embora a mãe lhe tivesse dito que "com homem é sempre melhor confiar desconfiando", daquele seu ela jamais imaginaria tamanha estranheza.


Como não o visse despido,porque há muito não faziam mais aquela brincadeira de tomar banho juntos,apenas notou alguma coisa singular naquele seu homem: além de mais distraído (mas com ar mais contente, como se estivesse sempre vendo uma paisagem que ninguém mais via),também andava mais curvado.
Estaria doente?
Andava encurvado para dissimular a sua nova condição, porque nunca sabia o que a mulher seria capaz de perceber - o olhar das mulheres pode discernir o que nem a gente mesmo percebeu ainda.
- Você vai acabar corcunda desse jeito,aprume-se - ela dizia no seu tom conjugal.
O homem,solitário,sofria: era duro transformar-se e não poder partilhar isso com ninguém. E começou a procurar outros parecidos.

As coisas se complicaram quando, já habituado à sua nova condição, o homem-anjo olhou em torno e, sendo ainda apenas um homem com asas, sentiu-se muito só.
Pois os anjos acabados não se sentem sozinhos : vivem completos com a música do mundo que gira dentro deles e os preenche totalmente.
Aquele anjo-homem ou homem-anjo, com as asas de sua imaginação ou sua arte desdobrando-se e crescendo incansavelmente, buscava companhia. Alguém que falasse sua linguagem, e seria a linguagem de um centauro, a linguagem do meio nascido projetando-se no vento, que ele agora ainda era. Alguém para partilhar a angústia dessa possibilidade de se expandir.
Então, quando se resignava em ser sozinho, ele se apaixonou; e pensou muito antes do primeiro encontro amoroso, pois certamente essa mulher descobriria o seu segredo.
Mas como a paixão no início é sempre um terremoto, um risco e uma glória, finalmente ele se entregou.


Na primeira noite com sua amante, ansiosa, ardente como ele, tirou a roupa toda e, quando ela começava a apalpar-lhe as costas, remexendo-se gemendo embaixo dele, o par de asas se abriu, arqueou-se, unindo as pontas bem no alto por cima dele na hora do supremo prazer.
Mas essa mulher/amante não se assustou, não se afastou... apertou-se mais a ele,e dizia vem comigo,vem comigo,vem comigo...

E abriu suas asas também.

Agora o homem-anjo tinha duas mulheres: a cotidiana, que nem notava as asas; a mágica, que voava nos braços dele naquelas noites raras.
Uma era o familiar e o conforto e lhe dava uma certa melancolia.
Outra era o sonho e o fervor e lhe causava inquietação.
Sempre que estava com uma,sofria achando que traía a outra.
Talvez fosse preciso amputar seus vôos.
Ou aprender que um homem pode ter seu sonho, e nele cultivar as suas árvores, e saborear seus frutos - ainda que sejam simplesmente magia.
Mas para alguns, a ser também um anjo, e ainda por cima encontrar um igual com quem dividir os horizontes e os ventos - sempre sempre sempre -, pode ser uma excessiva alegria, e o começo da condenação.
Pois o medo - não o tempo - é inimigo do amor.
A mulher que lhe estava destinada, que lhe diria vem comigo, vem comigo...
um dia acordou com dor nas costas. Não era bem dor, mas um desconforto. E nem era no lugar habitual, logo acima dos quadris e abaixo da cintura, era nos ombros, abaixo das omoplatas.
Pensou, tenho de começar a fazer ginástica, alongamento, só caminhar três vezes por semana não basta.
- Você tem de arrumar um amante pra trepar - lhe dissera a amiga desbocada - , porque com seu marido sei que você nem trepa mais.
- Trepar a gente trepa - ela respondera, rindo meio sem graça - , mas com parcimônia. - E riram as duas, achando graça daquela intimidade de colegiais.
Notou depois de alguns dias que andava mais inquieta e mais distraída. Os filhos pareciam mais barulhentos, o marido mais sem graça, o trabalho mais cansativo.

Seus pensamentos eram douradas borboletas saindo livres da sua realidade, que afinal - embora monótona - era sempre um conforto.
Este é o meu lugar no mundo, pensava retornando para casa no fim de cada tarde.
Esta é a minha tarefa no mundo, pensava fazendo as compras com a lista do supermercado na mão, o filho menor, já adolescente, empurrando o carrinho da mãe, mal-humorado.


E outra vez, saindo do banho e olhando-se no espelho nua, viu que estava meio cansado aquele corpo. Olhou-se de frente, o ventre um pouco flácido, os seios nem de longe os seios gregos que o marido beijava com ardor nos primeiros tempos.
Examinou seu corpo de lado e viu com pavor que havia duas marcas longas espáduas abaixo, duas listras nascendo logo debaixo dos ombros e descendo até quase a cintura, convexas, saltadas como cicatrizes enormes, dois dedos de largura.
Tentou tocar-se meio sem jeito, difícil de alcançar, mas conseguiu : aquilo era mágico, ao toque de seus dedos começava a palpitar.
Pensou : se for câncer é um câncer esquisito, e de tão grande nem adianta falar porque devo estar morrendo mesmo.
Mas o rosto estava bom, a pele saudável, a cor razoável, não tinha ar de doente terminal, e decidiu esperar um pouco para ver no que dava. Sua mãe fazia assim quando eram pequenos:
- Se daqui a três dias continuar doendo, a gente procura o médico.

Sentia-se a um tempo mais desgostada com a vida de sempre - pois agora era uma mulher com um encantamento - , mas muito mais animada, era fácil voar em pensamento.
Assim via de outro prisma o mundo e a si própria, tudo tranfigurado, palavras velhas soavam como se fossem conchas sonoras; rostos familiares estavam recobertos de uma nova claridade; ela mesma abria-se em tantas camadas que se surpreendia:
- Então isso também sou eu? E mais isso, e isso?
Era possível viver - com susto - fora dos rótulos que lhe asseguravam a existência até ali.

- Você anda distraída, hein, mãe - lhe disse o filho mais velho um dia.


O marido não percebia nada. Mas ele não costumava mesmo prestar muita atenção. Insatisfeita com tudo, a mulher resolveu trocar a cor do cabelo, de um castanho comum, por um quase-vermelho brilhante.
Saiu do salão sentindo-se uma rainha egípcia, uma odalisca, uma aventureira, como quem trocasse o tapete da sala, cinzento, gasto e pequeno, por outro enorme, de cores berrantes.

Quando o marido entrou no fim do dia ela o aguardava ansiosa por dividir com ele ao menos aquela novidade e, radiante porque achava aquela transformação uma beleza, perguntou assim que o viu na soleira:
- Notando alguma coisa nova na casa, bem?
Ele parou, sorriu inseguro, olhou em torno, olhou para ela, abriu mais o sorriso e finalmente disse:
- Você trocou o tapete?
E ela não se zangou, lembrando quantas vezes fora impaciente com ele, quantas vezes criticara seus gostos e ironizara pequenas manias, quantas vezes fora pouco generosa.
Mas era a vida deles. E se queriam. E não era inteiramente ruim.
Porque o rumor dos passos familiares no corredor é um bem que só avalia quem o perdeu definitivamente.

Mas uma vez ela estava pensando em uma bela coisa erótica, o que há tempos não fazia, sozinha em casa depois do banho, e tocou-se como há muito não se tocava, pensando:
- Bem, se vou morrer mesmo, ao menos me divirto um pouco antes.
Pois os sinais nas costas estavam mais destacados, e o desconforto maior, como um ímpeto que precisasse muito sair dali - e na hora do supremo prazer deu um salto e sentou-se e sentiu que explodia, e de repente começou a alçar-se acima da cama.
Olhou por cima do ombro esquerdo e notou que nas suas espáduas se abriam duas asas - como de anjo.
Com esforço conseguiu aterrisar de novo, quase batera com a cabeça no teto, e andou até o banheiro, com cuidado para não levantar vôo ao menor movimento.


E se contemplou e se achou belíssima: uma mulher nua com duas asas, que logo aprendeu a manejar diante do espelho, abrir, fechar, levantar, dobrar de novo como um leque enorme.
E - mais estranho de tudo - não teve medo, mas alegria. Então era isso: não estava morrendo de um câncer esquisito, mas era uma esquisitice mágica, ela estava virando anjo.
Era agora uma centaura; não mais, como antes dizia brincando, meio mulher meio automóvel, meio mulher meio carrinho de supermercado,mas meio mulher, meio anjo.


No começo foi difícil acomodar aquelas asas debaixo da roupa, pois, mesmo que dobrassem direitinho, faziam um certo volume. Começou a usar roupas mais folgadas. E , como ninguém em casa ligasse muito para ela, logo se sentiu à vontade com o seu segredo.
Mas dava-lhe uma certa pena não ter a quem contar aquilo. Ao marido, nem pensar. A vida deles estava tão boa, tão acomodada, que não permitiria uma interferência daquelas, nunca se sabia quando as coisas começariam a desmoronar, e aí nada mais poderia conter a ruína.
Nem a melhor amiga entenderia. Pois era uma mulher, divertiam-se um pouco juntas, mas um assunto assim, estranheza demais, talvez a afastasse.
Iam interná-la como doida; iam querer operar e cortar as asas; iam botar na televisão como monstro; iam isolar e manipular em algum centro de pesquisas, sabe lá.
Sentia-se esfolada pelo roçar da belea do diferente.
O que era a sua descoberta de si, agora sua essência, tornou-se também exílio.
De noite subia no telhado da casa e abria as asas e saía a voar. Como uma mariposa gigante, sobrevoava o cotidiano, enxergando tudo de outra perspectiva, mais completa e mais vasta.
Chegando àquele patamar não havia mais volta, e agora ela era um ser desencontrado, um ser descosido - um verdadeiro ser humano.


E algum tempo depois, eles que haviam transposto seus confins, por caminhos singulares se encontraram, e, se não foram felizes para sempre, ao menos conquistaram, com risco e aflição, o dom de partilhar o seu sinal, que os marcava e isolava de todos os demais.
Esse é um dom dos deuses que ignora distância e tempo e diferenças, e ensina que o fervor vale a pena debaixo de asas generosas.

PS: Não importa muito como se faz nem em que direção se vai no amor, no trabalho, na visão de mundo, num novo projeto. O tempo estreito dos relógios, e todos os sensatos regulamentos que nos despersonalizam a cada hora de cada dia, são válidos quando aqui e ali abrem intervalos por onde se pode expandir a vida.

Essas coisas e outras Altéria me revela olhando através de mim como se eu nem existisse; mas sua boca atrevida está tensa, concentrada em me fabricar com seus bruxedos.
Ela me desenha: o círculo da cara, aqui um olho, ali outro olho, uma orelha, o nariz.
Onde estou nessas histórias dela? Serei apenas mais uma personagem das minhas próprias narrações? De onde surgem essas criaturas, como aparecem, de que jeito começam a mover-se em mim feito línguas, dedos em cavernas submersas chamando, querendo ser exploradas ou configuradas, desejando que eu lhes ponha limite - e ao mesmo tempo as libere para o seu maravilhoso transbordar?
Cada livro meu foi criado em torno de um personagem meio banal e meio demente, homem ou mulher. Mas podia ser também a morte; o tempo; um menino esquisito, um anão que até hoje nem eu sei o que significava nem se era real ou alucinado.
E não faz a menor diferença...
Aos poucos, quando das minhas incontáveis imaginações, aquela, a especial, se prende na barra da minha saia e pede para ser narrada (por mim ou por Altéria), começo a estender ao seu redor um universo que justifique, sem jamais explicar - para não perder a graça - , algumas das suas loucuras.


Uma infância de isolamento, uma família fragmentada, um quarto proibido, dilaceramentos, ou simplesmente a dureza de ser, formam a sua moldura de desencontros.
E aos poucos aquela minha criação passa a ser real: torna-se a verdade da minha mentira.
Crescem seus cabelos, seus olhos adquirem expressão, ela se move e seus gestos desabrocham, seu destino se escreve e se cumpre.
Em geral há poucas explicações, e finais sempre obscuros.
Não tentem me explicar, não me prendam, escrevi certa vez, mas podia ter escrito NÃO ME MATEM, como se espetassem uma borboleta no alfinete das interpretações.
Não acho que se deva entender uma história minha, é inútil perguntar-me: "O que significa aquilo?" pois em geral eu também não sei nem me importa. Muito mais que os significados, interessam-me as sugestões, as possibilidades, sendo mais belas do que as respostas.
É preciso entregar-se à minha narração, andar pelos caminhos dela, rolar em suas encostas , afogar-se em suas águas como eu tantas vezes fiz, para me acompanhar.
Mas é preciso , ao mesmo tempo, perder-se de mim e escrever no seu próprio pensamento uma história sobre a minha história; como um dia alguém escreveu a sua metáfora em torno da minha.
Assim terei um leitor - e o meu leitor terá a mim.

Lya Luft

enviada por kel



04/06/2007 21:54

Convite

Não sou a areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério

A quatro mãos escrevemos este roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.

Lya Luft
enviada por kel



31/05/2007 21:30

Sai Baba

A graça de Deus é concedida a cada devoto conforme o nível de sua consciência espiritual.O oceano é vasto e ilimitado, mas a quantidade de água que você pode pegar dele é determinada pelo tamanho do recipiente que você leva até suas margens.Se o recipiente for pequeno, você não pode enchê-lo além de sua capacidade limitada.Do mesmo modo,a graça Divina será igualmente limitada.Abra seu coração libertando-se das diferenças restritas e,assim,reconheça a verdade de que o Divino habita em todos.
enviada por kel



24/05/2007 14:58

Filha...

Um dia frio
Um bom lugar pra ler um livro
E o pensamento lá em você, pois sem você eu não vivo.
Um dia triste
Toda fragilidade incide
E o pensamento lá em você...
E tudo me divide
enviada por kel



19/05/2007 12:53

Mãe

Palavras, calas, nada fiz
Estou tão infeliz
Falasses, desses, visse não
Imensa solidão
Eu sou um Rei que não tem fim
Que brilhas dentro aqui
Guitarras, salas, vento, chão
Que dor no coração
Cidades, mares, povo, rio
Ninguém me tens amor
Cigarra, camas, colos, ninhos
Um pouco de calor
Eu sou um homem tão sozinho
Mas brilhas no que sou
E o teu caminho e o meu caminho
É um nem vais nem vou
Meninos, ondas, becos, mãe
E só porque não estais
És para mim que nada mais
Na boca das manhãs
Sou triste, quase um bicho triste
E brilhas mesmo assim
Eu canto, grito, corro, rio
E nunca chego a ti

(Caetano Veloso)





enviada por kel



17/05/2007 17:26

Carinho que eu fiz,não vai virar espinho...

Tenho pensado em meus amigos...
Sinto saudade,sinto a falta(de alguns), tenho esperança de rever outros tantos.Eu sinto, eu tenho saudade.
Saudade de Aline, de Renatinha,de Noêmia, Mônica,de João(saudade apertada).Erika,Salete,Glaucia,André... saudade de Claudio,de "L.LMoreno de Cybele",saudades de tanta gente, que amei e amo.Saudade de Wagner,Mari,saudade de Marcelo,de Cadú,Fhelipe... saudade imensa de Eduardo,saudade machucada de Paulo.
Saudade de tanta gente que conheci nesses tempos de "vela".Naveguei tanto,tanto... e conheci pessoas de todo tipo.
Gente-bicho, gente-estrela, gente-ilusão, gente ilha...
Saudade... hoje eu durmo e sinto saudades, e sonho coisas boas para essa gente toda.Saudade gente, saudade!!!
Colidi meu barquinho algumas vezes,mas não era esse o meu desejo verdadeiro.
Kel
De perto Ninguém é normal =x ::Comente:: http://weblogger.terra.com.br/comentarios/?cd_weblog_texto=36109433
enviada por kel



15/05/2007 13:39

Laser

Gota pura
Gota,gota pura
Vindo pela veia do veio
Diamante,diamante duro
Cortando o cristal pelo meio
Com um beijo eu acordei
Outro beijo me dormiu
Depois todo o tempo se seguiu
Todo tempo nos antecedeu
Ficou preso e solto por um fio
E esse fio era você e eu
Leva leve
Pega e leva leve
Raio da leveza do laser
Eu te firo e você me fere
Como a luz nos fere com seu ser

(José Miguel Wisnik/Ricardo Breim)

De perto Ninguém é normal =x ::Comente:: http://weblogger.terra.com.br/comentarios/?cd_weblog_texto=36109433
enviada por kel



26/07/2006 23:05
"Renascer"
Largar desse cais,
Ir sem direção
Seguir os ventos que clamam por mim
Tecer minhas teias
Com minhas mãos
Sugar das entranhas desse chão meu fim
Degladiar com os dois de mim
Ser o São Jorge do meu dragão
Dividir meus segredos com a noite
Minhas verdades com os céus
Trilhar as estradas que eu não trilhei
Romper as portas trancadas por mim
E assim minhas mãos
Saberão dos meus pés
E assim renascer, e assim renascer...
(Sairt SAen) Versão - Altay Veloso

enviada por kel



19/07/2006 00:34
O amor me fere é debaixo do braço,
De um vão entre as costelas.
Atinge o meu coração é por essa via inclinada.
Ponho o amor no pilão com cinza
E grão roxo e seco.
Macero ele,
Faço dele cataplasma
E ponho sobre a ferida.

O amor quer abraçar e não pode .
A multidão em volta, Com seus olhos cediços,
Põe caco de vidro no muro
Para o amor desistir.

O amor usa o correio,
O correio trapaceia,
A carta não chega,
O amor fica sem saber se é ou não é.
(Adélia Prado)

Aprendi com os fofos do "Serenata em Dó de Amor".
E ver Carlinha(Marins), declamando...tão meiga, tão menina...
Me emocionou.
enviada por kel



04/07/2006 08:16
"Eu Nem LIgo"
Eu nem ligo, não esquento a cabeça
Vou com força nas coisas que eu quero e devo fazer
Eles querem que eu me aborreça, estremeça
E me prenda nas cercas do seu circo mortal
Eu prossigo e não perco a cabeça
Vou traçando as palavras como eu quero e devo traçar
Eles querem que eu me afobe e confunda
Mas eu ponho nas sombras do seu circo mortal
Tem que ser da largura do arame
O elemento é preciso, estrutura é vital!
Eu sou da largura do arame
O elemento é preciso, estrutura é vital!
(Gonzaguinha)

...para Marcelo(por tudo que conversamos ontem).
enviada por kel



03/07/2006 12:41
"Paratodos"
O meu Pai era Paulista
Meu Avô ,Pernambucano
O meu Bisavô ,Mineiro
Meu Tataravô Baiano
Meu maestro soberano
foi Antonio Brasileiro

Foi Antonio Brasileiro
Quem soprou esta toada
Que cobri de redondilhas
Pra seguir minha jornada
E com a vista enevoada
Ver o inferno e maravilhas

Nessas tortuosas trilhas
A viola me redime
Creia, ilustre cavalheiro
Contra fel,moléstia,crime
Use Dorival Caymmi
Vá de Jackson do Pandeiro

Vi cidades,vi dinheiro
Bandoleiros,vi hospícios
Moças feito passarinhos
Avoando de edifícios

Fume Ari, cheire Vinícius
Beba Nelson Cavaquinho

Para um coração mesquinho
Contra a solidão do Agreste
Luiz Gonzaga é tiro certo
Pixinguinha é inconteste
Tome Noel, Cartola,Orestes
Caetano e João Gilberto

Viva Erasmo ,Ben,Roberto
Gil e Hermeto, Palmas para
Todos os instrumentistas
Salve Edu,Bituca,Nara
Gal,Bethania,Rita,Clara
Evoé,jovens a vista

O meu Pai era Paulista
Meu Avô Pernambucano
O meu Bisavô,Mineiro
Meu Tataravô,Baiano
Vou na estrada muitos anos
Sou um Artista Brasileiro...
(Chico Buarque)
enviada por kel



29/06/2006 14:33
"Carne e Osso"
Eu quero sim
Eu quero coisas novas
Mas o que eu procuro mesmo são mais vidas
Eu grito sim
Mas grito meu lirismo
E o meu grito vai sanar minhas feridas
E a música e a mística
Aplicam sangue novo no meu ser
Calo a minha dor
E o lúcido, e o válido e o sólido
Vão matar você que evita o seu amor
Por isso eu vou
Trazer você comigo
Programar o amor em seus computadores
Vou mais além
Eu morro mais consigo
Germinar a minha flor em seus rancores
Nem dúvidas, nem dívidas
Jamais vão destruir a minha flor dentro de você
Que cérebro, que máquina?
Conseguem fazer mais que um grande amor dentro de você

"Saiba quem agride a minha lira
Quanto mais ferida, mais diz o que sente"
Ainda vou ouvir você dizer pra mim, eu amo sim
Sou carne, sou osso, sou gente...(Taiguara)

Impossível ouvir essa mensagem(tão atual) e não me emocionar...
Meu Deus...que o amor alcance as pessoas!!!
K

enviada por kel



26/06/2006 20:22
Nossa, tem tanta coisa acontecendo que esqueci completamente...QUE VERGONHA!!!
Gente!!! Aniversário do blog...é sim(do outro que depois virou esse), caramba, será que alguém tá entendendo?Hhahahahhaha...essa febre que não passa.
Um ano do "passos...".
Quero agradecer a todos que frequentam esse espaço, obrigado pelas visitas, pelo carinho...
Obrigadooooooooo...
Bjs

enviada por kel



25/06/2006 12:16
"Eu sou apenas o fragmento de um espelho do qual não conheço a forma nem toda finalidade.Mesmo assim,com o que tenho, posso refletir a luz dos lugares escuros deste mundo,sobretudo nos corações dos seres humanos, e posso mudar algumas coisas em algumas pessoas. Talvez outras pessoas me vejam fazendo isso e façam o mesmo.É para isso que eu vivo. É este o significado da minha vida.(Robert Fulghun)

Obs:Gente que eu amo...
Estou doente e tive que me afastar um pouco do blog e de outros compromissos(tive até que dar um tempo nas gravações), mas não se preocupem...é só um tempinho pra refletir, pensar e descansar.
Estou vivendo o meu melhor momento, tantas portas se abrindo, e aí...vem o baque.Mas tudo isso é bom(tenho lido bastante), coisas lindas como o que escrevi acima.
Ontem respondi a quem perguntava sobre a minha saúde, que esse momento, tem sido importante para que eu exercite a minha humildade(falei isso em tom de brincadeira e rimos muito)...mas não é exatamente isso?
Beijos e saudades...
Sempre!!!
enviada por kel



01/06/2006 04:23
De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.
(Vinícius de Moraes)
enviada por kel



25/05/2006 17:34
"Nada Digno de Nota"
Nada a dizer pois tá tudo aí
Das evidências, como fugir
Nada a fazer se chegou ao fim
A gente quis assim
Não abri mão de ver a tv
Enquanto vc um papo/sem condição nenhuma de ser/se vc fica eu passo
É que a gente é diferente pode crer
E fica sem saída
Acho que vou sentir saudade
Vc, quando quiser,me liga...
(Ito Moreno)Válvula de Escape

Sabe quando uma música fala por vc?
Bom demais...sem falar no tempo que se ganha.
enviada por kel



12/05/2006 23:57
"A Montanha e a Chuva"
Eu queria tanto lhe dizer
Da minha solidão,da minha solidez
Do tempo que esperei por minha vez,
Da nuvem que passou e não chuveu...
Minhas mãos estão no ar
Como aeroporto pra você aterrissar
Também sou porto,se quiseres ancorar...
Sou ar,sou terra e sou mar
Eu tenho a mão e você tem a luva,
Eu sou a montanha e você é chuva
que escorre e some no final da curva
E beija o rio,pra abraçar o mar
É por isso que a montanha tem ciúmes
Quando o vento leva a chuva pra dançar
Muitas vezes , tudo acaba em tempestade
Raios gritam sobre a tarde,
Tardes dormem ao luar,
Anoitece a minha espera,
Amanheço a te esperar...
(Orlando Morais)

Amo a voz, a poesia...a ternura de Orlando.
enviada por kel



05/05/2006 18:58
Foi no Mês que Vem

Vou te vi.Ali deserta de qualquer alguém.
Penso,logo irei.Que seja antes minha que de outrem.
Quando o vento fez do teu vestido.Um dom que Deus te deu.
Claro que eu rirei.Ao vendo o que outro alguém não viu.
Vou andei.E me chegando assim te cercarei.
Digo, aqui tô eu.Que te amo e as tuas pernas quero bem.
Já que estamos nós.Te sugeri-me então o que fazer.
Claro que eu beijei.Ao tendo o que outro alguém não quis.

E tudo isso.Foi no mês que vem.
Foi quando eu chegar.Foi na hora em que eu te vi.
E mais que tudo.Foi no mês que vem.
Foi quando eu chegar.Na hora em que eu te quis.

Vou fiquei.No teu chegado e tu chegada ao meu.
Penso, grande é DEus.Um paraíso prum sujeito ateu.
E pensando assim.Farei aquilo que o teu gosto quis.
Claro,eu já ganhei de volta.Tudo o que eu quiser.
(Vitor Ramil)

...como ser assim???
enviada por kel



28/04/2006 14:31

Carta para Paulo

“OI, vc é a Kelce que morava em Realengo? Eu sou o Paulo vc morava em uma casa mal assombrada, cheia de fantasmas..e parentes estranhos”
E eu: “Casa assombrada? Parentes estranhos??? Sou eu mesmo.Hhahahhahaha...

Essa foi a conversa que tive hoje de manhã por e-mails.
Não sei como esse amigo me achou, mas nossa...como me fez bem esse reencontro.
Em seguida mandei o número do cel e conversamos um bocado, e foi impossível não me lembrar dele(lembrar não, porque a gente só se lembra daquilo que esquece, e eu nesses anos em que não estive por perto, o sentia perto...e quando não o abraçava, mesmo assim me sentia abraçada por ele), amigos de verdade, são assim...

Paulo...
Fui apresentada a ele por Reginaldo(que só hoje fiquei sabendo, faleceu..fiquei triste).e de tudo o que Reginaldo fez em sua vida, ressalto a grande idéia de me ter apresentado ao seu amigo Paulo(que além de adorar música), também queria ser advogado. Nossa química foi imediata, ficamos amigos de cara.
Lembro-me sempre de que ele uma vez me disse: “se vc precisar de mim, pra qualquer coisa(qualquer mesmo), me procure”. Não sei se isso foi alguma tática de sedução...mas funcionou.Acreditei mesmo nisso, e uma vez fui a sua casa pedir ajuda para fazer um figurino para uma peça de Teatro hahahahaha...Paulo rasgou um jeans, costurou e amarrou cordas, e fez o meu figurino...eu via tudo aquilo com uma graça, uma leveza, de quem olha algo absolutamente normal, talvez por me sentir capaz de fazer o mesmo por ele.
Ou talvez já adivinhasse que não seria essa a única vez que precisaria dele...o tempo me diria depois o amigo que eu tinha, e a importância dele em minha vida.

É verdade, eu morava mesmo em uma casa cheia de fantasmas(rica em tantas coisas), mas tão pobre de amor. Eu era a própria Cinderela, acordava cedo para limpar uma casa que nunca se sujava(pois ninguém nos visitava), e porque as janelas nunca eram abertas...que bom que eu não fui a única a perceber isso.
Eu morava com a minha tia Yémen(como explicar?).
Lembram da “Madrasta”, meio por aí...mas não sei porque mesmo agora, não consigo ter raiva dela...ela não sabe, nunca soube..mas me deu mais força pra ser quem eu sou hoje. Para contrariar minha tia, para irritar mais e mais a minha tia, resolvi não me deixar abater, cada vez que uma frase ou outra(geralmente tão duras), chegavam aos meus ouvidos de criança. Eu era tão criança...mas já sabia entender ou quis acreditar mais que tudo, que eu estava ali apenas, mas que não pertencia aquele lugar.
Isso me manteve viva, na infância e adolescência...e só assim pude ver beleza nas coisas, no mundo e até em mim.
Era uma casa imensa...tantos quartos(o meu era o menor de todos), mas era um refúgio, onde eu me pintava e me cantava e me escrevia...do jeito que queria ser um dia ...
Hoje sou...e continuo sendo...

Sofri, cresci, fiz escolhas erradas...amei e desamei numa velocidade incrível...e precisei do meu amigo..de novo, de novo...
Uma vez , já com a minha filha (ela bem pequena), eu disse pra ele, que eu sentia muito frio(morando na casa de uma outra tia).E ele pegou o seu cobertor( o único que tinha) e me deu. Ele talvez não saiba, mas me aqueceu não só o corpo, com esse gesto...mas a minha alma, meu coração... aqueceu muito, e me ajudou muito, por muito...muito tempo(ainda tenho aqui, pedaços desse cobertor, que não jogo fora por nada.Ele duvidou quando eu falei...acho que nem se lembrava mais, do bem que fez a mim e a minha filha...pessoas generosas são assim! Não fazem alarde do bem que fazem.
Mas eu...preciso falar.
Não me lembro do nome da mãe dele, mas me lembro dela...
Ela no início tinha em relação a mim, uma certa desconfiança(talvez pelo meu jeito tão alegre e falante), sei que assusto um pouco a primeira, a segunda, a terceira vista hahahahahah...
Talvez por preocupação com o filho , sei lá...eu entendo.
Ela me tratava com educação mas com uma certa distancia.
Mas uma vez(minha filha estava doente, muito doente), e eu não tinha a quem recorrer a quem pedir...estava andando na rua com a minha filha no colo, achando que estava andando sem direção...mas Deus já tinha pensado em tudo.Me fez entrar em um ônibus, e quem encontrei nele? A Mãe de Paulo, que ao me ver, perguntou por minha neném, e ao falar dela, chorei dentro do ônibus.Ela quis saber o motivo do choro, mostrei minha filha e a infecção em seu corpinho e imediatamente a Mãe do Paulo, me puxou, descemos do ônibus...caminhamos um pouco em silêncio.Ela disse que me levaria em uma Clínica, que me levaria ao médico que havia cuidado de seus filhos, quando eram pequenos.
Eu expliquei que não tinha dinheiro para pagar as consultas e os remédios, e ela me olhou de um jeito, não disse nada, apenas me levou até a Clínica.
Minha filha estava com uma infecção horrível no peito, lá fui informada, que ela teria que fazer uma drenagem no local, que ficaria internada.
O Médico(também não lembro o nome agora, foi muito carinhoso conosco) e não parava de chamar a Angra de Letícia(dizia que esse nome significava alegria), por vezes...as tristezas eram tantas, que eu pensava nisso(será que a culpa era do nome que escolhi?), não teria sido melhor, dar a minha filha um nome que invocasse a ALEGRIA.

Depois que a minha filha teve alta, segui as orientações médicas.
A mãe do Paulo foi maravilhosa, foi minha mãe também , naquele momento...nunca esqueci, nunca vou esquecer o que ela fez por minha filha. Pagou todo o tratamento e depois desse dia, passou a ter por mim também uma carinho suave e até contido(mas era carinho e na medida certa), hoje sei.
E preciso dizer, apesar do Médico ter me garantido, que a minha filha ficaria boa, que teria uma vida normal, um corpo normal e saudável, que em nada ela seria prejudicada no futuro...eu não tive Paz, orava todos os dias por ela, e a noite(todas as noites), colocava a mão sobre o peito de minha filha e pedia a Deus, que cuidasse dela, que não permitisse qualquer dano, ou seqüela).
Hoje comentei isso com o Paulo...e estou chorando agora, escrevendo aqui...

Paulo...que alegria poder falar com você hoje, vejo isso como mais um presente de Deus( e veio em um momento tão delicado).
Te peço perdão ,não estive por perto pra te aplaudir nos seus grandes momentos(tantos). Não te dei apoio quando você também precisou...
Mas não te esqueci, nem sei se você entende ou acredita...mas te trago guardado, lacrado...aberto só pra quem te merece!
Estou vivendo, cantando...amando minha filha, os amigos, a música(sempre).
Caindo, “vivendo e aprendendo a jogar”
A mesma menina, a mesma criança...
Talvez feliz!
E você faz parte disso.
Te amo

“É bom saber que és parte de mim.
Assim como és parte das manhãs...
Eu canto e sei.Que também me vês.
Aqui, aqui, com essa canção...” (Vitor Ramil)

enviada por kel



28/04/2006 10:52
"A Dança da Cor"
De manhã fugi da escola
Todo o bom humor que eu guardei numa sacola
Hoje estava ao sol
E o Sol era uma bola deslizando
Apareça qualquer hora com cara de amor
Me pergunte a cor da amora
Seja como for
Apareça e vá embora
Como toda a cor que a há na aurora, amor
Cada cor tem sua hora sem nenhum pudor
Dança, dança e vá embora
Vá pra onde for
Sempre ficará de fora do que iluminou
Como a cor do céu adora
Brincar de outra cor
Como o olhar de quem namora
Ou de um grande ator
Dança a luz em fauna e flora:
A dança da cor
(Oswaldo Montenegro)

(tentando escrever..voltar!Tá difícil ainda, mas vai passar...se algum jeito vai passar)
Bjs pra quem me quer e me faz tanto bem...
enviada por kel



11/04/2006 15:58

Pra se pensar

Era uma vez uma cobra que começou a perseguir um vagalume que só vivia pra brilhar.
O vagalume fugia rápido com medo da predadora e a cobra nem pensava em desistir.
Um dia, não aguentando mais, o vagalume parou e disse:-Posso te fazer 3 perguntas?
e a cobra:- Não costumo abrir esse precedente para ninguém,mas já que vou te comer mesmo, pode perguntar...

- Pertenço a sua cadeia alimentar?
c:-Não
- Te fiz alguma coisa?
c:Não.
-Então porque vc quer me comer?
C:- Porque não suporto ver vc brilhar!

Pensem nisso.

enviada por kel



31/03/2006 17:04

"A TRANSFIGURAÇÃO PELA POESIA"


Creio firmemente que o confinamento em si mesmo,imposto a toda uma legião de
criaturas pela guerra, é dinamite se acumulando no subsolo das almas para as
explosões da paz.No seio mesmo da tragédia sinto o fermento da meditação
crescer.Não tenho dúvida de que poderosos artistas surgirão das ruínas ainda
não reconstruídas do mundo para cantar e contar a beleza de reconstruí-lo
livre.Pois na luta onde todos foram soldados - a minoria nos campos de
batalha, a maioria nas solidões do próprio eu, lutando a favor da liberdade
e contra ela , a favor da vida e contra ela - os sobreviventes, de corpo e
espírito, e os que aguardaram em lágrimas a sua chegada imprevisível, hão de
se estreitar num abraço tão apertado que nem a morte os poderá separar. E o
pranto que chorarem juntos há de ser água para lavar dos corações o ódio e
das inteligências o mal entendido.
Porque haverá nos olhos, na boca, nas mãos, nos pés de todos uma ânsia tão
intensa de repouso e de poesia, que a paixão os conduzirá para os mesmos
caminhos, os únicos que fazem a vida digna: os da ternura e do despojamento.
Tenho que só a poesia poderá salvar o mundo da paz política que se anuncia -
a poesia que é carne, a carne dos pobres humilhados, das mulheres que
sofrem, das crianças com frio, a carne das auroras e dos poentes sobre o
chão ainda aberto em crateras.
Só a poesia pode salvar o mundo de amanhã. E como que é possível senti-la
fervilhando em larvas numa terra prenhe de cadáveres .Em quantos jovens
corações , neste momento mesmo, já não terá vibrado o pasmo da sua obscura
presença? Em quantos rostos não se terá ela plantado , amarga , incerta
esperança de sobrevivência? Em quantas duras almas já não terá filtrado a
sua claridade indecisa? Que langor, que anseio de voltar, que desejo de
fruir, de fecundar, de pertencer, já não terá ela arrancado de tantos corpos
parados no antemomento do ataque , na hora da derrota , no instante preciso
da morte ? E a quantos seres martirizados de espera, de resignação, de
revolta já não terão chegado as ondas do seu misterioso apelo?
Sofre ainda o mundo de tirania e de opressão, da riqueza de alguns para a
miséria de muitos , da arrogância de certos para a humilhação de quase
todos.Sofre o mundo da transformação dos pés em borracha, das pernas em
couro, do corpo em pano e da cabeça em aço.
Sofre o mundo da tranformação das mãos em isntrumentos de castigo e em
símbolos de força .Sofre o mundo da transformação da pá em fuzil, do arado
em tanque de guerra , da imagem do semeador que semeia na do autômato com
seu lança-chamas, de cuja sementeira brotam solidões .
A esse mundo, só a poesia poderá salvar, e a humildade diante da sua
voz.Parece tão vago , tão gratuito, e no entanto eu o sinto de maneira tão
fatal ! Não se trata de desencantá-la , porque creio na sua aparição
espontânea , inelutável.Surgirá de vozes jovens fazendo ciranda em torno de
um mundo caduco; de vozes de homem simples , operários , artistas,
lavradores, marítimos, brancos e negros , cantando o seu labor de edificar,
criar,plantar, navegar um novo mundo; de vozes de mães, esposas, amantes e
filhas , procriando, lidando, fazendo amor,drama, perdão. E contra essas
vozes não prevalecerão as vozes ásperas de mando dos senhores nem as vozes
soberbas das elites. Porque a poesia ácida lhes terá corroído as roupas . E
o povo então poderá cantar seus próprios cantos , porque os poetas serão em
maior número e a poesia há de velar.
(Vinicius de Moraes)

Primeira crônica do Autor, publicada em A Manhã - 1.946
enviada por kel



30/03/2006 12:31
"Poeminha do Contra"
Todos esses que aí estão
atravancando meu caminho,
eles passarão...
eu passarinho!
(Mário Quintana)

É exatamente assim que penso...
Ando cansada de pessoas invejosas e sem luz.
"Pai, afasta de mim esse cálice..."
enviada por kel



29/03/2006 08:06
"Maravida"
Era uma vez, eu no meio da vida, essa coisa assim,tanto mar!
Coisa de doce e de sal, essa vida assim, tanto mar,tanto mar!
Sempre um mar,cores indo do verde mais verde ao anil mais anil
Cores do Sol e da chuva, do Sol e do vento, do Sol e luar
Era o tempo na rua e eu nua usandabusando do verbo provar
Um beija-flor, flor em flor,bar em bar,bem ou mal,margulhar!
Sempre menina, franzina,traquinas,de tudo querendo tomar e tomar
Sempre garota marota,tão louca,à boca de tudo querendo levar
Vida,vida,vida que seja do jeito que for
Mar,amar,humor,se é dor quero o mar dessa dor
Quero meu peito repleto de tudo que eu possa abraçar
Quero a sede e a fome eternas de amar,e amar, e amar!
(Gonzaguinha)

Vida...vida...QUE SEJA DO JEITO QUE FOR!!!
Amo a minha vida, amo ser quem sou!
Amo viver!
enviada por kel



20/03/2006 18:48
"Insana"
Eu naõ venho de outro planeta
Moro ali no alto daquela montanha
Foi de tanto escutar as estrelas
Que eu fui aprendendo essa língua estranha.
Tive filhos,amantes,amigos
E a todos amei de uma forma bacana
Eu não guardo as fotografias
POis todos eu trago na minha barriga
Eu não sei o que é solidão
Só o fogo e o som dessa voz insana
Que aprendi navegando o corpo
E a alma de um louco
Banhado em chama
Que me deu de presente esse palco
Me pôs nesse céu feito eu fosse uma santa
Só pediu bem baixinho meu bem
Minha irmã, minha mãe, minha filha...canta
Esse homem, um fora da lei
Que andava a esmo
Todo dia vem
Só porque ao lhe dar de beber
Me falou que era Rei
E eu achei que era mesmo...
(Sueli Costa/Ana Terra)

Estou feliz...amando esse mês(que é meu), amando quem tá chegando, quem sempre esteve...e o que virá!
enviada por kel



15/03/2006 09:29
"Carta de Pedra"
Prezado amigo,escrevo pra esclarecer
Que mesmo antes de nascer,mau coração se fez humano por ser suburbano
E o HIV deu positivo porque meus irmãos padecem de doença igual
E um degrau atrás de outro degrau
Me leva de joelhos a Igreja onde Deus me diz
Que o Humano me é estranho, sim, porque é meu pai e , ai de mim,
Nós nos desentendemos sempre
E é assim que se faz canções,escadas,catedrais
Que depois não visitamos mais - dão de nós o melhor testemunho.
Prezado amigo, eu vi sair do papel a pedra e o fogo que há no céu
E tudo parecia letra de chorinho e então também chorei...
Os meus avós e o pai são os degraus
Aonde eu piso em direção ao caos
Mas posso ver na beira goiabeiras,limoeiros,pés de sapoti
E a Penha volta aqui
Feito o mito de uma Ressurreição.
A história é pedra - hei de ralar,
A Santa não pode cumprir o que não me crismar:
O pai que eu amo não demora,
A valsa chora e eu sei que chora
Pelas Penhas que eu vou inventar
Até que a própria Virgem
Mande eu descansar...
(Guinga/Aldir Blanc)

Um dos melhores cds que tenho(Aldir Blanc - 50 anos).Grande presente que ganhei de Paulinho(um outro grande, do violão e bandolim)
enviada por kel



13/03/2006 10:33
"Estrada Nova"
Eu conheço o medo de ir embora
Não saber o que fazer com a mão
Gritar pro mundo e saber
Que o mundo não presta atenção
Eu conheço o medo de ir embora
Embora não pareça, a dor vai passar
Lembra se puder
Se não der, esqueça
De algum jeito vai passar
O Sol já nasceu na estrada nova
E mesmo que eu impeça, ele vai brilhar
Lembra se puder
Se não der esqueça
De algum jeito vai passar
Eu conheço o medo de ir embora
O futuro agarra a sua mão
Será que é o trem que passou
Ou passou quem fica na estação?
Eu conheço o medo de ir embora
E nada me interessa se pode guardar
Lembra se puder
Se não der esqueça
DE algum jeito vai passar
(Mongol/Oswaldo Montenegro)

Ontem, apesar de ter tido um final de semana maravilhoso(em alguns momentos senti o coração apertado, uma dor sem motivo), e pensei em um amigo.Tive vontade de telefonar ou mandar um e-mail...sei lá(perguntar o que está acontecendo, saber se posso ajudar em alguma coisa)...
Meu amigo, nem sei se um dia terei a oportunidade de te dizer o quanto vc é importante pra mim, mas fica aqui registrado o meu carinho...e o meu pensamento em vc , ontem.
Te quero bem(saiba).
Seja o que for Nilton(de algum jeito vai passar)
Conte comigo...Sempre!!!!
enviada por kel



09/03/2006 07:53
"Jura Secreta"
Só uma coisa me entristece
O beijo de amor que eu não roubei
A jura secreta que não fiz
A briga de amor que não causei
Nada do que posso me alucina
Tanto quanto o que não fiz
Nada do que eu quero me suprime
De que por não saber ainda não quis
Só uma palavra me devora
Aquela que meu coração não diz
Só o que me cega o que me faz infeliz
É o brilho do olhar que não sofri
(Sulei Costa/Abel Silva)

Pra quem ainda não entendeu..é bem assim que sou.
enviada por kel



07/03/2006 12:41
Estava outro dia assistindo o DVD(Tempo, Tempo, Tempo, Tempo), da nossa musa maior...Maria Bethania.
Meu Deus...quanto sentimento!!
E na hora pensei no meu amigo Moreno, que assim como eu , tb é apaixonado por ela.Lembrei na mesma hora de longas conversas que já tivemos sobre a coerência de Maria, a força de sua presença, etc...
Que saudades senti...
E fiquei feliz quando na semana passada esse amigo me ligou, e ao dizer meu nome, na hora reconheci a sua voz(amigo de verdade não esquece a voz do outro, e nem o que foi dito...não importa o tempo).E ele disse:"Kel, eu quero eu preciso de vc na minha vida"...nossa, como foi bom ouvir isso(Deus realmente não descansa, tá sempre me olhando até pelo cantinho do olho hahahah).
Já me enganei com pessoas, é verdade...mas isso me acontece raramente...tenho amigos maravilhosos, tenho amigos para uma vida inteira e uma saudade infinita!
E não preciso estar com eles ou falar com eles o tempo todo, para que haja uma confirmaçaõ desse amor.E isso tb é pra mim, um termômetro para uma amizade verdadeira.
Marquei de encontrar o meu amigo hoje, depois de tanto tempo...
no CCBB.Se alguém passar por lá, por volta das duas da tarde, não se espante se eu estiver chorando, abraçada a um homem...não se acanhe e chegue mais perto, para que eu possa apresentá-lo, ao meu amigo e irmão Marcos Moreno.
enviada por kel



05/03/2006 00:33
Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.
Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim:metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice.
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto.
E velhos, para que não tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade", é uma ilusão imbecil e estéril!
(Oscar Wilde)

obs:"Eu quero ter um milhão de amigos, e bem mais forte poder cantar..."(RC)
Eu chego lá...meu coração é puro...
enviada por kel



04/03/2006 15:29

"Canção Brasileira"

A canção brasileira chegou
com o fim do verão
O sol está presente
como continua o impossível amor
Pela primeira vez meu amor
eu me sinto feliz
sabendo que sou
sabendo que dou o amor mais bonito
Quantas vezes vagueio no quarto
ou nos bares tão só
Mas eu nunca fui triste
os corredores da vida
eu já sei de cor
Já não sinto temor de sentir
Já não sei mais chorar
É que o choro não vem
quando quero sorrir
quando quero sorrir
Ai meu amor...
(Sueli Costa/Abel Silva).

Tenho cantado essa música, ela é tão verdadeira...que me comove
enviada por kel






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